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Curta paraense vencedor de três prêmios no Festival de Gramado tem apoio da Lei Paulo Gustavo — Ministério da Cultura



Inspirado no imaginário amazônico, o curta-metragem paraense Boiuna saiu do 53º Festival de Cinema de Gramado, encerrado no último fim de semana, com três prêmios: melhor direção, atriz e fotografia. Foi a coroação de um trabalho que começou a ser construído há seis anos e viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo (LPG).
“O impacto da Lei Paulo Gustavo no Boiuna foi absoluto, por que sem a existência dela eu não teria conseguido produzi-lo”, enfatiza a diretora Adriana de Faria.
O projeto foi selecionado no edital estadual de apoio a produções audiovisuais, que contemplou um total de 20 curtas, e recebeu R$ 120 mil da LPG para a sua concretização.
Antes, ela tentou emplacar o filme em chamadas públicas, mas não obteve êxito. “Na política pública do Pará não há um investimento consistente para o audiovisual, então a Lei Paulo Gustavo atendeu uma emergência que foi além da questão da pandemia. Era uma emergência de produção daqui, de novos olhares, de democratização desse recurso”, observa.
Lenda indígena
Rodada nas cidades de Benevides, Benfica e na Ilha do Combu, na região metropolitana de Belém, a produção revisita a lenda indígena da cobra-grande.
Na história, mãe e filha (Naieme e Jhanyffer Santos) voltam a uma ilha no Pará, onde vivenciam experiências misteriosas. Tais fatos as fazem questionarem suas relações com a natureza e as pessoas da região. Na Serra Gaúcha, as atrizes dividiram o prêmio da categoria.
“A narrativa da Cobra Grande vem dos povos originários, mas a Boiuna não é um ser místico, e sim uma entidade da floresta. E a conexão vem quando a gente pensa na relação com o lugar em que a gente vive. Para os povos originários essas entidades sustentam e protegem a floresta. Elas fazem parte de um mundo espiritual extremamente conectado com a realidade”, explica a diretora.
Boiuna contou com a participação de mais 60 profissionais do Norte e do Nordeste para a sua realização.
A coordenadora do Escritório Estadual do MinC no Pará, Telma Saraiva, parabeniza a equipe pelas estatuetas conquistadas no Festival de Gramado e destaca a força do audiovisual feito no Norte.
“Temos que enaltecer a equipe que sonhou e trabalhou incansavelmente para fazer este filme. O Pará se sente orgulhoso com essa conquista, com a capacidade do audiovisual feito no Norte e nos faz acreditar ainda mais no quanto a arte dignifica a vida”, salienta.
Após a participação no certame gaúcho, o curta tem exibições agendadas em ilhas da região de Belém e no sudeste do Pará, em Canaã dos Carajás, Marabá e Parauapebas. Também irá participar do festival Olhar do Norte, em Manaus, no mês de setembro, e em outubro da Mostra Goiânia de Curtas.
“Os festivais ampliam o alcance do filme, são janelas importantes da conexão do público com o cinema, com o ato de ir a uma sala de exibição”, argumenta Adriana. 



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