O Ministério da Cultura (MinC) e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) lançaram, na quinta-feira (9), em Maceió (AL), o programa Proler Bibliotecas, iniciativa estratégica voltada ao fortalecimento de bibliotecas públicas, bibliotecas comunitárias, unidades prisionais com espaço de leitura, serviços especializados, com destaque para escritórios sociais e outros serviços de atenção às pessoas egressas do sistema prisional em todo o Brasil.
Na ocasião, além da apresentação da ação, foi detalhado o edital que seleciona Bibliotecas Públicas, Bibliotecas Comunitárias, Unidades Prisionais, Serviços Especializados, Escritórios Sociais e outros serviços de atenção à pessoa egressa do Sistema Prisional para integrar ações formativas e territoriais que fortalecem a mediação de leitura e escrita, ampliam o acesso ao livro e consolidam comunidades leitoras em todo o país. O edital está com inscrições abertas e a oportunidade segue até o dia 26 de abril. Saiba mais aqui.
Destaque também do Proler, uma novidade é a incidência da política no sistema prisional. Em ação interministerial entre o MinC e o Ministério da Justiça (MJ), o evento contou com a presença e parceria da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Uma oportunidade que amplia o acesso à leitura e fortalece políticas públicas voltadas à inclusão social, especialmente no sistema prisional e no atendimento à pessoa egressa. Na abertura da solenidade, reeducandos do sistema prisional de Alagoas fizeram apresentação artística com rimas, versos e música para o público.
Um outro momento importante do evento foi à homenagem à professora, pesquisadora e idealizadora do Proler, Eliana Yunes, e para Francisco Gregório Filho, em memória. A professora Eliana Yunes destacou o que ela chamou de “peso leve da memória que representava a sua presença, que sendo homenageada, recebeu essa homenagem em nome de uma multidão de pessoas que fez esse programa acontecer no Brasil. Assim, a idealizadora ressaltou a união de pessoas e instituições que partilham do mesmo desejo: o acesso à cultura, leitura e conhecimento para todos e todas.
A apresentação do Proler foi realizada em transmissão ao vivo, com a participação de gestores públicos, pesquisadores, representantes de instituições culturais e especialistas da área do livro e da leitura. O programa conta com a coordenação da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli) do MinC, e é desenvolvido em parceria com o Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (Nees).
Leitura como direito e fortalecimento das bibliotecas
O Proler Bibliotecas tem como objetivo consolidar as bibliotecas como equipamentos culturais estratégicos, promovendo o acesso democrático ao livro, à leitura e ao conhecimento como direitos fundamentais da população.
Durante o lançamento, o Secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, destacou o papel da literatura na formação humana. “A literatura é um fator indispensável para a humanização, por isso, se constitui como um direito”, afirmou.
A proposta busca fortalecer redes locais já existentes e estimular práticas de leitura solidária em diferentes territórios, promovendo o compartilhamento de saberes, a construção coletiva de conhecimento e o acesso mais amplo e colaborativo à leitura.
Atuação em rede e parceria institucional
A iniciativa será implementada em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e o Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), reforçando a integração entre governo, universidades e sociedade civil.
Para o professor do Centro de Educação da UFAL e Conselheiro e Coordenador do NEES, Leonardo Marques, a iniciativa contribui para ampliar o papel da educação na formação cidadã, ao integrar leitura e cultura para além do ambiente escolar.
“Este projeto nos ajuda a repensar como a escola amplia a sua visão da cultura e da leitura, pensando em levar a leitura para fora da escola e em como a cultura pode contribuir para preparar os estudantes para serem cidadãos”, salientou.
Segundo ele, a proposta fortalece a relação entre escola, território e práticas culturais, ampliando as possibilidades de formação crítica e participação social dos estudantes.
Rede nacional com alcance em todo o território brasileiro
O programa prevê a seleção de 437 instituições, ao todo, serão contempladas no edital: 220 Bibliotecas Públicas, 180 Bibliotecas Comunitárias, 27 Unidades Prisionais e 10 Serviços Especializados, que passarão a integrar a Trilha de Formação e Mobilização.
As instituições participantes terão acesso a:
– processos formativos continuados
– acompanhamento técnico
– integração em rede nacional colaborativa
– troca de experiências entre diferentes territórios
A secretária de Cultura de Alagoas, Mellina Freitas, destacou a importância da iniciativa. “O programa amplia oportunidades e fortalece as bibliotecas como espaços fundamentais de formação e cidadania”, comentou.
Formação, cidadania e democracia ganham destaque
Francine Santos de Paula, Coordenadora Pró-Reitoria da Universidade Federal de Alagoas, enfatizou a importância da formação de leitores como elemento central para o fortalecimento das políticas públicas e da democracia. “Sabemos que a leitura é a base para que cada cidadão possa escrever a sua própria história”, frisou.
Segundo ela, investir na formação de agentes de leitura nos territórios é essencial para garantir o acesso crítico ao conhecimento, estimular a participação cidadã e contribuir para o fortalecimento da democracia por meio da ampliação de vozes e da autonomia dos indivíduos.
Leitura no sistema prisional amplia alcance social do programa
Um dos destaques do Proler Bibliotecas é a inclusão de unidades prisionais como parte da política pública, ampliando o acesso à leitura em contextos de privação de liberdade.
A Gerente de Educação e Cidadania (Seres/AL), Clarice Damasceno, ressaltou o impacto social da iniciativa nesse campo. “A leitura no sistema prisional é uma ferramenta de transformação, de acesso a direitos e de reconstrução de trajetórias”, observou. Segundo ela, a presença de ações estruturadas de leitura contribui para processos de educação, reintegração social e fortalecimento da cidadania.
Compromisso com a democratização do acesso ao conhecimento
O Proler Bibliotecas atualiza o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler), criado em 1992, e integra o conjunto de ações do MinC voltadas à reconstrução e ao fortalecimento das políticas públicas culturais.
A coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas de Alagoas, Mira Dantas, ressaltou a continuidade da política. “A leitura é libertação.” Segundo ela, o fortalecimento das políticas de leitura representa um caminho estratégico para ampliar a autonomia dos cidadãos, reduzir desigualdades e contribuir para a construção de um Brasil mais justo, democrático e com maior acesso ao conhecimento”, ressaltou.
Leitura como eixo de transformação social
Com foco na formação de leitores e na valorização das bibliotecas como espaços de convivência e transformação social, o Proler Bibliotecas reafirma o compromisso do Ministério da Cultura com a democratização do acesso ao conhecimento no Brasil.
A iniciativa aposta na atuação em rede, na formação continuada e na valorização dos territórios como caminhos para ampliar o alcance das políticas públicas de leitura.
Como participar
As instituições interessadas têm até o dia 26 de abril para realizar a inscrição. O edital completo e o formulário de participação estão disponíveis no site do Mapa da Cultura. Clique aqui para acessar.
Para auxiliar os candidatos, estão sendo realizados encontros virtuais para o esclarecimento de dúvidas; o próximo ocorre na segunda-feira, 13 de abril, com link de acesso também disponível no portal. Além disso, o programa oferece suporte direto por meio do WhatsApp (61) 92003-6176 e do e-mail [email protected].
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