O Comitê Gestor do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC) realizou nesta terça-feira (24), a quinta reunião do colegiado. No primeiro encontro do grupo em 2026, representantes de 21 unidades do Ministério da Cultura e instituições vinculadas buscaram avançar na integração de sistemas e bases de dados voltadas à produção de informações sobre a cultura no país. A atividade teve como foco estruturar um modelo capaz de organizar o fluxo de dados do SNIIC e reforçar seu papel no monitoramento do Plano Nacional de Cultura (PNC).
Realizado no Sesi Lab, em Brasília (DF), o encontro ocorreu em formato de oficina e buscou aprimorar a forma como as informações culturais são reunidas, tratadas e disponibilizadas. A proposta é integrar as plataformas já existentes, evitar retrabalho e elevar a qualidade dos dados produzidos pelo setor.
Pela manhã, os participantes revisaram o desenho do sistema para compreender como as informações de cada área se conectam. À tarde, o grupo realizou um mapeamento de sistemas e fontes de dados para o acompanhamento das metas do Plano Nacional de Cultura (PNC).
Com essa organização, o governo pretende ampliar o acesso a informações confiáveis sobre a cultura brasileira, tanto para gestores quanto para pesquisadores e cidadãos. Com o novo desenho, será estruturado um ecossistema do SNIIC: modelo que representa as relações entre as entidades e atores envolvidos, bem como as ferramentas que organizam o fluxo das informações.
Foto: Giba/ MinC
Na abertura da reunião, a subsecretária de Gestão Estratégica do Ministério da Cultura, Letícia Schwarz, destacou que a governança é condição essencial para que o sistema se consolide como política estruturante. “O que estamos vivendo aqui é uma experiência rara na administração pública. A manutenção deste comitê gestor é fundamental. Governança não é apenas definir quem participa, mas garantir que esse coletivo funcione de fato, levando decisões às instituições de origem e construindo, de forma colaborativa, processos decisórios”, afirmou.
Ela ressaltou ainda que a continuidade das políticas depende do registro sistemático das ações e resultados.
“Muitas vezes, ao iniciar novas iniciativas, não encontramos dados, documentação ou avaliações anteriores, o que dificulta o desenvolvimento das políticas públicas. Justamente na área da cultura, que trabalha com memória e patrimônio, não podemos permitir a perda desse conhecimento. Por isso, a atuação deste comitê é estratégica. Ela contribui tanto para a entrega de resultados quanto para a construção de uma base sólida de informações para o futuro”, salientou.
Segundo a coordenadora-geral de Informações e Indicadores Culturais, Sofia Mettenheim, 2026 será um ano de consolidação estratégica do comitê dentro do Sistema Nacional de Cultura.
“O comitê gestor não é apenas um espaço de acompanhamento técnico. Ele é um espaço de formulação estratégica. Estamos construindo coletivamente a arquitetura do SNIIC para que ele funcione de forma integrada e articulada dentro do Sistema Nacional de Cultura. Esse alinhamento é fundamental para garantir consistência, continuidade e efetividade às políticas públicas”, afirmou.
Para Sofia, o Plano Nacional de Cultura deve orientar o desenvolvimento do sistema. “O Plano Nacional de Cultura é a referência estruturante das políticas culturais brasileiras. Ao organizar os dados do SNIIC a partir de seus eixos, fortalecemos o monitoramento das metas, qualificamos a produção de indicadores e damos mais coerência à gestão da informação no âmbito do Ministério da Cultura.”
O coordenador-geral de Sistemas de Informação Museal do Instituto Brasileiro de Museus, Dalton Martins, destacou que o debate sobre dados culturais também dialoga com agendas mais amplas de transformação digital e inteligência artificial.
“Diante de tudo o que está sendo discutido sobre inteligência artificial, é fundamental perguntar onde está a cultura nesse processo. Como falar em empoderamento e em uma inteligência artificial que reflita valores democráticos sem considerar o papel da cultura. Uma das dimensões dessa questão é a existência de bases de dados qualificadas, robustas e representativas”, afirmou.
Ele acrescentou que o SNIIC pode ocupar posição estratégica na agenda digital do país. “Precisamos compreender como o SNIIC pode dialogar com políticas como a Estratégia Brasileira de Transformação Digital e o Plano Nacional de Inteligência Artificial. Trata-se de posicionar o sistema como uma ação de transformação digital, ampliando nossas possibilidades de inserção nessas agendas”, disse.
Plano Nacional de Cultura
À tarde, na abertura da segunda parte da programação, a coordenadora-geral de Informações e Indicadores Culturais ressaltou a relevância do Plano Nacional de Cultura, que estabelece o projeto político do Sistema Nacional de Cultura.
“Ele define essa direção e é fruto de um processo de participação social intenso. Tivemos uma quarta Conferência Nacional de Cultura com participação histórica e depois rodadas de oficinas em todos os estados para trabalhar junto com a sociedade civil metas, resultados e objetivos. A gente conseguiu materializar os caminhos que queríamos com um grande consenso. Temos o desafio de fazer com que esse plano tenha informações que alimentem cada um desses objetivos, com as suas metas, indicadores, para a gente visualizar se a gente está chegando nessa direção que os objetivos determinam”, comentou Sofia Mettenheim.
A subsecretária de Gestão Estratégica do Ministério da Cultura, Letícia Schwarz, frisou que o plano é nacional e não federal, o que faz toda a diferença: tendo a nacionalização da Cultura como diretriz, o governo orienta suas políticas para objetivos como a desconcentração de recursos, a democratização do acesso e o fomento à diversidade.
Ao final da atividade foram apresentados os resultados dos mapeamentos realizados durante as oficinas sobre sistemas e bases de dados direcionados à produção de informações sobre cultura a partir dos oito eixos estratégicos do PNC.
“Esse encontro foi muito interessante para fazermos um mergulho, nos aprofundarmos nesses temas. Agora é ver como pensamos as perguntas corretas para esses sistemas e gerar informações que sejam úteis e capazes de difundir, que tragam narrativas para a gente visualizar o que está acontecendo na realidade cultural que se relaciona com cada um desses objetivos”, analisou Sofia Mettenheim.
Próximos passos
Ao longo de 2026, o comitê deverá avançar na consolidação de diretrizes e na elaboração de recomendações para aprimorar o sistema. Também estão previstas ações para ampliar a participação de estados, municípios e da sociedade civil.
A expectativa é que o fortalecimento do SNIIC contribua para decisões públicas mais qualificadas e para a continuidade das políticas culturais no país.




