Início CULTURA Ministra Margareth Menezes participa da abertura da 1ª FliRui e celebra doação...

Ministra Margareth Menezes participa da abertura da 1ª FliRui e celebra doação histórica de acervos indígenas — Ministério da Cultura



A 1ª Festa Literária da Casa de Rui Barbosa (FliRui) abriu sua programação nesta sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, com uma noite carregada de simbolismo e diversidade na literatura brasileira. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, participou da cerimônia, que também prestou homenagem à poeta Neide Archanjo — celebrada em leitura especial de Maria Bethânia.
Um dos momentos centrais do ato foi a cerimônia oficial de doação dos acervos de três grandes nomes da literatura indígena: Daniel Munduruku (povo Munduruku), Eliane Potiguara (povo Potiguara) e Márcia Kambeba (povo Omágua-Kambeba). Os materiais passam a integrar o Arquivo-Museu de Literatura Brasileira (AMLB), que agora reúne obras de 152 escritores e cerca de duas mil peças museológicas.
“Ao incorporar os acervos de três grandes autoras e autores indígenas, a Fundação sinaliza que a memória literária do país precisa refletir todas as vozes que o constroem”, afirmou a titular da Cultura.
Margareth Menezes destacou ainda o valor simbólico da pluralidade: “é acolher, dar voz, dar visibilidade a essa cara diversa do nosso povo brasileiro”.
Márcia Kambeba entregou um maracá confeccionado por ela, reforçando a potência ancestral da oferta. O público também assistiu a um aboio apresentado por Severino Honorato, da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, conectando tradições e celebrando a diversidade cultural.
Também estiveram presentes na solenidade a deputada federal Jandira Feghali e o secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba.
Vozes indígenas tomam o centro do palco
As trajetórias dos três escritores foram revisitadas durante o evento, ressaltando sua importância histórica, social e literária.
Eliane Potiguara celebrou décadas de militância e construção coletiva. “Nós estamos colocando aqui o nosso coração na mão de vocês, na nossa própria existência, nesse protagonismo universal e ancestral”.
Márcia Kambeba reforçou a função política e pedagógica da literatura indígena. “A literatura indígena é fundamental, porque é por ela que podemos desconstruir estereótipos, decolonizar”.
Já Daniel Munduruku destacou a dimensão histórica do momento. “O que está acontecendo aqui hoje não é apenas um momento histórico, mas algo absolutamente extraordinário. Nós estamos aqui, nós somos contemporâneos de vocês”, discursou.
Homenagem a Neide Archanjo emociona o público
A poeta, advogada e psicóloga Neide Archanjo — primeira titular do acervo do AMLB — foi homenageada em uma celebração com forte carga poética e afetiva. Marta Negreiros realizou a doação do acervo físico e dos direitos autorais, abrindo caminho para novas edições da obra da autora.
A cantora Maria Bethânia recitou versos de Neide, resgatando sua força estética e política: “poesia é estado de graça, e o poeta, um anjo pistoleiro disposto a qualquer morte”.
Neide foi lembrada como destaque da poesia dos anos 1960 e pioneira em movimentos literários como o Poesia na Praça.
FliRui reforça compromisso com democracia, memória e acesso à cultura
Com o tema Literatura e Democracia, a FliRui segue até domingo (30), com mais de 40 atividades gratuitas que ocupam toda a Fundação Casa de Rui Barbosa. A abertura às 16h contou com o presidente da FCRB, Alexandre Santini, que ressaltou a responsabilidade institucional:
“A memória exige cuidado. A presença de vocês aqui é o que dá sentido a essa Fundação”.
A programação inclui mesas de debate, feira de livros, oficinas, contações de histórias, cinema, gastronomia, intervenções artísticas e apresentações amplas. A festa reúne nomes como Maria Bethânia, Ailton Krenak, ministra Cármen Lúcia, Dira Paes, Ana Paula Tavares, Ondjaki, Geraldo Carneiro, Amara Moira e André Dahmer.
Neste domingo (30), o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, participa da mesa A literatura em outros palcos. Para ele: “a FliRui nasce como um espaço vibrante de encontro entre leitura, criação e diversidade”.
Ao fim da cerimônia, o público foi convidado a participar das próximas atividades, que incluem distribuição de livros, performances e mesas dedicadas ao cordel e às narrativas populares.
Sobre a FliRui
A Festa Literária da Casa de Rui Barbosa (FliRui) ocorre de 28 a 30 de novembro e ocupa integralmente os espaços da Fundação com programação diversa e gratuita. São mais de 40 atividades que incluem rodas de conversa, oficinas, contações de histórias, cinema, exposições, feira de livros, espetáculos e experiências gastronômicas. Realizada pela Fundação Casa de Rui Barbosa, vinculada ao Ministério da Cultura, a FliRui conta com apoio da Liga Brasileira de Editoras (Libre) e da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade.



FONTE