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Revista Pihhy reúne mais de 200 autoras e autores indígenas — Ministério da Cultura



O Ministério da Cultura (MinC) e a Universidade Federal de Goiás (UFG) realizaram, na sexta-feira (10), o Seminário Cultura e Pensamento Indígenas: Saberes que resistem, palavras que persistem. O evento aconteceu no Auditório do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Bloco A, Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF). A atividade se integrou às ações e à programação do Acampamento Terra Livre (ATL) que aconteceu na capital, marcando o “Abril Indígena”. Destaque na programação, foi a apresentação da revista Pihhy. A publicação está disponível no site do MinC, e conta com mais de 200 autoras e autores indígenas produzindo conteúdos diversos, com 10 minidocumentários e cerca de 29 livros e audiolivros.  

Confira aqui a revista Pihhy O Seminário reuniu colaboradores da Revista Pihhy, com a presença de educadores, pesquisadores e pessoas interessadas na temática indígena, entre eles, escritores e artistas indígenas de destaque, como: Vangri Kaingang, Ana Maria Kariri, Mirna Kambeba, Naine Terena. Outra ação que ganhou relevo foi a entrega de kits de livros com obras literárias escrita por escritores indígenas para professores. A proposta é que as obras fiquem disponíveis a todos os estudantes em suas bibliotecas. Os livros foram produzidos no contexto do Programa Conexão, Cultura e Pensamento dessa parceria Sefli do MinC e UFG.   

O evento foi o momento de debater a importância da produção intelectual indígena, tratando de temas fundamentais, como sustentabilidade, saúde, conhecimento e justiça, em articulação com o Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, iniciativa com mais de 20 anos de trajetória de valorização da resistência, ancestralidade e protagonismo dos povos originários. A ação teve como objetivo ampliar os diálogos e fortalecer a articulação entre sujeitos, movimentos e instituições, promovendo o encontro entre múltiplos saberes, bem como fomentar reflexões sobre os modos de produção, circulação e valorização dos conhecimentos indígenas no campo político e educacional.    A programação do evento contou com a realização do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli) e da Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio do Instituto Takinahakỹ de Formação Superior Indígena (NTFSI), da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS). 

Mesa de abertura do Seminário  

“Eu aprendi com o Ailton Krenak, que tem sido companheiro de algumas jornadas que a gente tem desenvolvido, um verbo muito precioso do povo Maxakali – que é o verbo espiritar. E o verbo espiritar é aquele que coloca a gente na nossa relação com a terra, com o homem-terra. Como diz o Ailton, ou como traduz o Ailton, é colocar a cabeça à altura do coração. Então não é cultura e natureza, é cultura-natureza, não é corpo e mente, é corpo-mente. Para mim, é isso, é trazer o espírito para o sistema, o espírito da natureza, eu acho que a Revista Pihhy, e essa ação, ela, de certa forma, traz esse espírito para dentro do sistema, desde a Universidade Federal de Goiás, mas também para o Ministério da Cultura”, ressaltou o Secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba.  

Ainda durante sua fala, o secretário Fabiano Piúba trouxe uma boa notícia: a prorrogação do Termo Execução Descentralizada (TED) entre o MinC e a UFG, garantindo, assim, a continuidade da parceria para a produção de mais edições da Revista Pihhy e demais ações.    “A Revista Pihhy é uma parceria, uma construção coletiva. Ao total, foram, 12 edições que estão online e disponíveis no site do MinC. Temos também 10 minidocumentários que foram produzidos ou dirigidos por novos cineastas indígenas. Com mais de 200 autores e autoras indígenas de mais de 70 povos do Brasil, do Chile e do México e com um total de 29 livros publicados, e um repositório virtual também de áudios. Uma produção muito boa, ficamos muito felizes e orgulhosos”, frisou o Diretor de Educação e Formação Artística (Diefa) da Sefli do MinC, Rafael Maximiniano.  

“Toda essa sabedoria dos povos indígenas tem que existir.  E a UFG ser o mecanismo para que isso aconteça, é muito importante”, apontou a Pró-Reitora de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Goiás (UFG), Adriana Régia Marques de Souza.  

“Somos hoje, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 391 povos indígenas e falamos, aproximadamente 274 línguas. Digo isso, já revela o grande desafio que temos em trazer o tema das culturas. E é isso, são 391 culturas diversas, diferentes, com identidades, com cosmologias”, afirmou o Diretor do Departamento de Línguas e Memórias Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Edilson Baniwa.  

“Entender que a cultura indígena não é tudo a mesma coisa. E como, por exemplo, falar de políticas públicas para povos que nem o português falam ou de recente contato? Na Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC), temos uma coordenação justamente para conseguir levar esse espírito das florestas, das águas e das naturezas, para conseguirmos sensibilizar o sistema”, apontou o Coordenador de Promoção das Culturas Indígenas da SDCD, do Ministério da Cultura (MinC), o Tupã MirimJu Yan Guarani.  

Políticas públicas   Em um segundo momento do seminário, foi apresentada a mesa com o tema “Políticas públicas para criação e circulação artística de autoria indígena”. Participaram do debate, o Diretor de Educação e Formação Artística (Diefa) da Sefli do MinC, Rafael Maximiniano (Sefli/MinC) e as escritoras Ana Maria Kariri; Mirna Kambeba Omágua-Yetê Anaquiri  e Vangri Kaingang.  

A revista Pihhy – uma ação do MinC e da UFG disponível no site do MinC – já lançou 12 publicações online (expressas por meio de conteúdos de autoria indígena, com base na pluralidade cultural brasileira), 10 minidocumentários em material audiovisual e publicou cerca de 29 livros e audiolivros. 



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