Em missão oficial a Cabo Verde, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, cumpriu agenda institucional e visitou espaços e equipamentos culturais nesta segunda-feira (13), em Mindelo, na ilha de São Vicente. A agenda busca ampliar a cooperação bilateral do Brasil com o país africano, consolidando a cultura como eixo estruturante do desenvolvimento social e econômico e das relações diplomáticas, sobretudo no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Entre os compromissos, a titular da Cultura se encontrou com o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves. Na ocasião, ela destacou a importância da valorização da economia criativa.
“Lugares que tem a possibilidade de ter uma cultura forte, de ser uma atração cultural ou artística, precisam usar isso com a visão de criar uma circulação da economia. O Ministério da Cultura tem conseguido ativar a dimensão da economia criativa nos municípios e trabalhá-la nos estados, para mostrar à sociedade como essa dimensão econômica que existe no setor cultural é importante”, salientou Margareth Menezes.
Museu do Mar
A programação cultural teve início com visita ao Museu do Mar. Na instituição que ocupa três andares na réplica da Torre de Belém, a ministra pode conferir um espólio subaquático composto de documentação e artefatos provenientes de 10 naufrágios de navios de nacionalidades portuguesa, inglesa, francesa, norte-americana, dinamarquesa e espanhola ocorridos entre 1743 e 1865.
O Museu do Mar tem como objetivo valorizar e promover a relevância do mar na história de Cabo Verde e as práticas sociais e culturais associadas à vocação marítimas das ilhas, por meio de atividades científicas educativas e pedagógicas.
Casa de Cesária Évora
No Núcleo Museológico Cesária Évora, a ministra Margareth Menezes teve a oportunidade de contemplar vestidos, objetivos pessoais, discos, condecorações e vídeos de um dos nomes mais importantes da música cabo-verdiana.
Localizado na antiga casa da cantora, conhecida pela alcunha de Diva dos Pés Descalços, por atuar descalça, o museu é dedicado a salvaguarda da vida e obra da artista, que morreu em 2011, aos 70 anos.
Centro Nacional de Arte
A agenda da manhã teve como última parada o Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), que abriga exposições permanentes e temporárias e visa estimular e fomentar o desenvolvimento das linguagens artísticas, como pintura, escultura, fotografia e cerâmica.
Com área de acervo, salas expositivas, biblioteca e espaço para residências artísticas, o centro cultural busca se tornar referência como plataforma de desenvolvimento e de promoção cultural sustentável.
“Foi uma grata oportunidade de conhecer alguns equipamentos de Mindello e ver o potencial que tem a cultura. No Brasil nós também temos essa visão, de entender que é fundamental o investimento no setor cultural, porque ele traz retornos importantíssimos”, frisou a ministra Margareth Menezes.
Visitas a ateliês destacam políticas de incentivo e a força do fazer artesanal em Cabo Verde
Na parte da tarde desta segunda-feira (13), a agenda da ministra da Cultura em São Vicente incluiu visitas a ateliês de produção cultural, com foco no trabalho de artesãos e na valorização de saberes tradicionais. Em um dos encontros, dedicado à luthieria, a comitiva conheceu o processo de fabricação de instrumentos de corda e as iniciativas de fomento à produção local.
O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Augusto Veiga, salientou o papel do investimento público na manutenção dessas práticas. “Nós temos um contrato anual com eles, em que damos um valor para esses instrumentos. Eles já têm um valor anual do Ministério para a fabricação desses instrumentos que vão para essas escolas de iniciação cultural”, explicou, ao detalhar a política de apoio que conecta produção artesanal e formação de novos músicos.
Margareth Menezes elogiou a qualidade e a estética dos instrumentos, ressaltando a importância de iniciativas que articulam tradição, geração de renda e formação cultural. A agenda evidenciou o papel estratégico da luthieria na preservação de identidades musicais e no fortalecimento das cadeias produtivas da cultura.
Na sequência, a ministra visitou o Atelier Pika Pedra, onde acompanhou o processo criativo de peças produzidas em pedra e metal. As obras, desenvolvidas a partir de referências do cotidiano e da memória local, traduzem histórias e vivências da comunidade em linguagem artística. Uma das peças apresentadas retrata mulheres que, em tempos passados, lavavam roupas acompanhadas dos filhos, cena que inspira a construção estética e simbólica do trabalho.
Ao conhecer o processo — que envolve corte, modelagem e montagem das estruturas — a titular do MinC reforçou a originalidade e a potência da produção. Margareth Menezes também incentivou a continuidade do trabalho, apontando o crescente reconhecimento do artesanato local.
Ministra acompanha ensaio do grupo de Carnaval Cruzeiros do Norte e celebra conexões culturais atlânticas
Neste domingo (12), durante agenda em São Vicente, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, visitou a quadra de ensaio do grupo carnavalesco Cruzeiros do Norte, onde acompanhou, ao lado de Augusto Veiga, ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, a preparação da bateria e o trabalho desenvolvido com crianças e jovens em processos de formação cultural. A iniciativa integra ações de base comunitária voltadas à música e à educação artística, incluindo parcerias em projetos como o Bolsa de Acesso à Cultura, que reúne dezenas de escolas de iniciação cultural.
Ao interagir com os integrantes, a ministra destacou a qualidade musical do grupo e o impacto formativo da iniciativa. “A bateria está muito boa e já está dando frutos para o futuro”, parabenizou, ao observar o desempenho dos participantes e a organização do trabalho, que articula cultura, formação e perspectivas de empregabilidade por meio da produção e circulação de instrumentos.
A visita também evidenciou o diálogo entre tradições brasileiras e cabo-verdianas. Segundo os integrantes, o grupo incorpora referências do samba-enredo, ao mesmo tempo em que valoriza ritmos locais, como o batuque e a mazurca. “Não podemos fugir do samba-enredo brasileiro, também faz parte de nós. Mas, temos os nossos próprios ritmos”, ressaltou a titular da Cultura, ao comentar a construção estética da bateria e a presença de matrizes afro-atlânticas compartilhadas.
Entre os exemplos apresentados, esteve um enredo recente que abordou a ligação histórica entre Cabo Verde, Brasil e África, marcada pelo contexto da escravatura. Para a composição, foram incorporados ritmos tradicionais do arquipélago, reforçando a música como espaço de memória e reinvenção cultural. A aproximação também apareceu nas celebrações populares, como o São João, descrito como semelhante às festas juninas brasileiras, ainda que com variações próprias de ritmo e execução.
Margareth Menezes enfatizou ainda o papel da cultura como elo entre territórios historicamente conectados. “A cultura faz essa ponte, dá esse testemunho”, pontuou. Ao observar a participação de crianças, jovens e adultos no ensaio, a ministra relatou a sensação de pertencimento e proximidade cultural, apontando semelhanças com manifestações da Bahia e reforçando a ideia de continuidade entre as expressões afro-diaspóricas.
A agenda integrou um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento das relações culturais entre Brasil e países africanos, com destaque para Cabo Verde. A ministra também mencionou a retomada do voo ligando os dois países como elemento estratégico para ampliar intercâmbios. “Cabo Verde será essa primeira grande ponte”, disse, ao destacar o interesse crescente de afrodescendentes brasileiros em conhecer suas raízes e aprofundar conexões históricas por meio da cultura.
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