O Cortejo Tecendo Territórios pela Justiça Climática pelas ruas de Santa Cruz, em Aracruz (ES), marcou o encerramento da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura. “A Teia reafirma uma política de 22 anos, baseada na conexão e na força da cultura brasileira. Este encontro fortalece os territórios e amplia o reconhecimento dos povos originários”, ressalta a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
A dimensão do encontro, promovido pelo Ministério da Cultura em Aracruz (ES), evidencia a potência e o alcance das políticas culturais de base comunitária no país. “A Cultura Viva saiu de 4 mil para 16 mil pontos e já alcança outros países, mostrando a força da cultura brasileira como política de base comunitária”, destaca a titular do MinC.
Para a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, Márcia Rollemberg, o encontro deixa como legado a articulação entre diferentes saberes, territórios e instituições. “Saímos daqui muito felizes, porque conseguimos fazer aqui uma conexão de fontes, de pessoas, de saberes, de lideranças e de instituições. Sai daqui uma pactuação por mais 10 anos do Cultura Viva e uma carta com relação à justiça climática, que todos nós somos responsáveis”, afirma.
Cortejo
Em meio a cantos, tambores e passos compartilhados, povos indígenas, comunidades tradicionais, grupos culturais e agentes da Cultura Viva, a atividade ocupou as ruas do município no final da tarde de sábado (23) reforçando que a justiça climática se constrói a partir dos territórios e de quem vive e cuida deles.
Mais do que uma celebração, o cortejo mostra o papel da cidadania em territórios de norte a sul do Brasil. Para o coordenador-geral de Articulação da Política Cultura Viva do Ministério da Cultura (MinC), Leandro Anton, a caminhada carrega múltiplos sentidos. “É um momento de celebrar a Teia que está se realizando, mas também de convocar o próximo encontro”. Ao destacar a relação entre justiça climática e culturas populares e tradicionais, ele reforça que esse movimento ganha força nas ruas, no encontro direto com a comunidade. “É esse encontro da cultura popular, dos pontos de cultura, da cultura de base comunitária. A gente chama para as ruas, dentro da comunidade, integrando os moradores, num processo simbólico que celebra essa Teia”.
A presença dos grupos de Congo evidenciou a força das tradições locais e a diversidade cultural brasileira. Mestra do Grupo de Congo Madalena do Jucu, Beatriz Santos destacou a importância da visibilidade. “A gente tem essa resistência desde 1952 com a nossa banda de Congo. É muito importante mostrar que a gente existe, lá no nosso pedacinho da Barra do Jucu, porque o Brasil é muito rico e as pessoas precisam conhecer e cada banda tem seu ritmo, sua história”.
Para os povos originários, a caminhada reafirma vínculos ancestrais com o território. Representante da Aldeia Irajá, de Aracruz (ES), Bruno Tupiniquim ressaltou o sentido coletivo do momento. “É seguir os passos dos nossos antepassados que já passaram por aqui. Esse conjunto de culturas fortalece, dá visibilidade para os coletivos e também para Santa Cruz”. Ele também destacou o papel da Teia na valorização dos povos indígenas e das expressões culturais do país.
Entre o público participante, a experiência foi marcada por emoção e descoberta. Kaio César de Paulo Rocha, conhecido como Pai Kaio de Ósun, do Ponto de Cultura de Povos de Matriz Africana Ilè Àgàbà Osún Asé Ògòdò, de Franca (SP), vive sua primeira Teia e conta o impacto do encontro. “Foi algo surreal, um divisor de águas. A Teia é onde a gente entende nossos direitos, conhece outras culturas e o nosso lugar no meio de tudo isso”. Para ele, a vivência foi intensa e transformadora “não teve um dia que a gente não se emocionasse, não vibrasse. É uma sensação que chega a ser inexplicável”, avaliou.
Entre cantos e o movimento compartilhado, a caminhada mostrou que a Teia Nacional se constrói no encontro, na escuta e na vontade de caminhar junto. Ao ocupar as ruas com diversidade, espiritualidade e cultura de base comunitária, o cortejo reafirma que os caminhos para enfrentar a crise climática estão na cultura de cada território.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.
FONTE
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