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MinC e Fundação Banco do Brasil fecham acordo de cooperação durante o Festival de Soluções Sociais para o Brasil — Ministério da Cultura



A ministra da Cultura, Margareth Menezes, participou nesta quarta-feira (27), em Brasília (DF), do Festival de Soluções Sociais para o Brasil, promovido pela Fundação Banco do Brasil em parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB Brasília). Durante a programação, ela assinou um acordo de cooperação entre o MinC e a Fundação Banco do Brasil voltado ao fortalecimento de iniciativas culturais e ao desenvolvimento sustentável dos territórios brasileiros.
A parceria prevê ações conjuntas para ampliar o acesso e a participação cultural, fortalecer redes de cultura, qualificar espaços culturais e incentivar práticas culturais formativas, com foco na cultura local e nas tecnologias sociais. O acordo também reforça a compreensão da cultura como dimensão estruturante do desenvolvimento humano, social e territorial.
“A cultura é uma dimensão estruturante do desenvolvimento humano, social e territorial”, celebrou Margareth Menezes durante a cerimônia de assinatura.
O presidente da Fundação Banco do Brasil, André Machado, destacou que a parceria consolida uma agenda voltada à inclusão, diversidade, pertencimento e transformação social: “Cultura e educação transformam territórios”, afirmou. Segundo ele, o fortalecimento das políticas de leitura também integra o centro das ações conjuntas. “Um país que lê amplia horizontes, fortalece a cidadania e cria possibilidades de futuro”.
Ao comentar a importância das políticas culturais, Margareth Menezes afirmou que o Brasil vive um momento de reconstrução e fortalecimento das ações estruturantes para o setor. A ministra citou iniciativas como a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, o fortalecimento dos Pontos e Pontões de Cultura, a retomada da Teia Nacional de Cultura Viva e a ampliação dos mecanismos de incentivo da Lei Rouanet.
“Nós temos o privilégio de viver num país que tem um cardápio imenso de produção artística e cultural. É de nós falando para nós mesmos, e o mundo precisa conhecer essa força desse país e desse povo”, declarou.
A titular do MinC também defendeu a valorização da diversidade cultural brasileira: “A diversidade humana, diversidade de pensamento, de visão, é o que estamos querendo poder contemplar cada vez mais. A diversidade não é um problema, é uma solução”.
Margareth Menezes ressaltou o papel das artes na formação educacional e humana. “É disso que se fala quando a gente entende a real necessidade das aulas de Arte e Cultura nas escolas”, completou. Ao compartilhar memórias de sua trajetória em escolas públicas e espaços comunitários de formação artística, destacou o impacto do ensino das artes na construção de lideranças e na expressão das subjetividades: “Trabalhar propondo transformação de vida a partir da cultura e da educação gera impacto no lugar de onde se vem e começa a repercutir positivamente na vida de muitas pessoas”.
A programação seguiu com a mesa Cultura e Educação: Saberes que Transformam Territórios, mediada pelo secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), Fabiano Piúba. Também participaram do debate o escritor e educador indígena Daniel Munduruku, o escritor Itamar Vieira Junior e a escritora Socorro Acioli. A subsecretária de Espaços e Equipamentos Culturais do MinC, Cecília Sá, realizou uma participação especial.
Na abertura do debate, Fabiano Piúba destacou a relação entre cultura, pertencimento e educação. “Cultura e educação são frutos da mesma árvore do conhecimento”, reconheceu. Para o secretário, o acesso às artes, à leitura e à literatura integra o campo dos direitos fundamentais: “Direito às artes, direito à cultura, direito à leitura e à literatura são direitos de cidadania e transformação social”.
Fabiano também defendeu a presença das artes na formação escolar. “Uma escola sem ensino das artes é uma escola limitada e opressora”, pontuou. Citando o filósofo Jorge Larrosa, acrescentou: “Educação sem cultura é só adestramento”.
Durante sua fala, Daniel Munduruku abordou a relação entre natureza, ancestralidade e educação. “A natureza é a grande mestra”, discursou. O escritor apresentou o conceito de “pedagogia do pertencer”, baseado na compreensão da interdependência entre seres humanos e território.
Munduruku também refletiu sobre infância, memória e continuidade entre gerações. Para ele, os povos indígenas precisam ser compreendidos a partir de sua contemporaneidade. “Os povos indígenas não são povos do passado, nem do futuro”, explicou.
O escritor Itamar Vieira Junior enfatizou a literatura como ferramenta de encontro e transformação social. “Educação é sair de si para encontrar o outro e o mundo”, assegurou. Ele também complementou sobre a importância das tradições orais na construção cultural brasileira: “Literatura não é apenas o que está registrado pela escrita, mas também as tradições orais”.
Já a escritora Socorro Acioli compartilhou experiências de sua trajetória literária e refletiu sobre os desafios da formação de leitores no país. “Trabalho pelo livro é um trabalho em teia”, disse. Ao recordar o percurso de circulação de sua obra A Cabeça do Santo, relatou: “Passei sete anos para escrever o Cabeça do Santo e o Cabeça do Santo passou doze anos para ser conhecido.”
No encerramento de sua participação, Margareth Menezes anunciou o desenvolvimento do programa Territórios Verdes da Cultura, iniciativa voltada à sustentabilidade de equipamentos culturais. Cecília Sá explicou que o projeto prevê ações baseadas em infraestrutura verde, economia circular e mobilização social em territórios periféricos.
“Estamos desenvolvendo um protótipo de um programa chamado Territórios Verdes da Cultura, com soluções para a sustentabilidade dos equipamentos. São soluções baseadas na natureza, na cultura e numa economia circular”, anunciou a subsecretária.
Antes da assinatura do acordo de cooperação e da participação na mesa, a ministra visitou o MovCEU instalado no CCBB Brasília. Margareth Menezes foi acompanhada do presidente da Fundação Banco do Brasil, André Machado, do secretário Fabiano Piúba, da subsecretária Cecília Gomes de Sá e dos escritores Daniel Munduruku e Itamar Vieira Junior.
O equipamento integra iniciativas voltadas à ampliação do acesso à cultura, à leitura, à formação e às atividades culturais em diferentes territórios do país.
Sobre o festival
Realizado entre os dias 27 e 29 de maio, o Festival de Soluções Sociais para o Brasil reúne representantes da cultura, academia, movimentos sociais e iniciativas comunitárias para debater soluções voltadas a desafios estruturais do país, como desigualdade social, educação, sustentabilidade, soberania alimentar e desenvolvimento territorial.



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