A ministra da Cultura, Margareth Menezes, cumpriu agenda oficial em Santa Catarina nesta sexta-feira (29). Em uma série de atividades voltadas ao fortalecimento das políticas públicas culturais e à ampliação do diálogo entre o Governo do Brasil, gestores públicos, parlamentares e representantes da sociedade civil ela iniciou as visitas pelo Rancho de Pesca do Seu Getúlio e ao Centro Cultural da Praia do Campeche, em Florianópolis. O espaço é voltado à preservação da memória da pesca artesanal da tainha e das tradições culturais da comunidade, e foi viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
Recebida por lideranças locais e representantes culturais, a titular da Cultura conheceu o acervo histórico do espaço, iniciativas de formação cultural desenvolvidas com a comunidade e ações de valorização da memória e das tradições populares do litoral catarinense.“Quando você preserva, você traz referência para as novas gerações. Isso é Brasil e nós estamos aqui como Ministério da Cultura fazendo esse apoio, mas também vindo conhecer de perto o que as pessoas estão realizando com a Aldir Blanc”, disse.Cultura no TerritórioDurante a agenda, a ministra participou do encontro Cultura no Território – Encontro da Cultura na Alesc, realizado na Assembleia Legislativa local. O evento reuniu representantes de redes culturais, conselhos municipais e estaduais de cultura, parlamentares e gestores públicos para apresentação das ações do MinC no estado e debate sobre os desafios e perspectivas do setor cultural catarinense.
A ministra destacou a importância da articulação federativa para consolidar políticas públicas permanentes para a cultura em todo o país. “O Brasil é de todos os brasileiros. E a gente precisa entender que fazer políticas públicas para chegar a todos e todas é acolher essa grande força humana que produz cultura”. “Estamos falando de bilhões injetados no setor cultural brasileiro. Há uma diferença muito grande entre um governo que acredita no povo, acredita na cultura, e um governo que não acredita”, completou.
O papel da escuta ativa e da participação social na construção das políticas culturais foi destacado pela secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC, Roberta Martins, que disse: “A cultura não pode ser enxergada como acessório. Ela é alicerce. O Sistema Nacional de Cultura precisa ser compreendido como garantia do direito à cultura de todo o povo brasileiro”, afirmou.
O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, ressaltou o alcance dos investimentos federais em Santa Catarina e o fortalecimento das políticas de fomento. “Os recursos da cultura não são gasto, são investimento. Cultura gera renda, gera emprego, gera saúde, gera educação e muda a vida das pessoas. O estado alcançou a adesão de 100% dos municípios às políticas culturais federais”.
Investimentos e desafiosA subsecretária de Gestão Estratégica do MinC, Letícia Schwarz, destacou a retomada institucional do Ministério da Cultura e o processo de reconstrução das políticas públicas culturais. “A gente precisava se reconectar com as pessoas, com os territórios, com os movimentos sociais, com os artistas e com o povo brasileiro. Essa conexão tinha sido perdida”.
Letícia também ressaltou o caráter público e permanente das políticas culturais. “A cultura não é de esquerda, não é de direita, nem é de governo. A política cultural é de Estado e a cultura é do povo”, disse.
Relator do projeto do Plano Nacional de Cultura na Câmara dos Deputados, o deputado federal Pedro Uczai reforçou a importância da consolidação de políticas permanentes para o setor. “O desafio é construir um verdadeiro SUS da cultura, uma política democrática, plural e diversa como política de Estado”, afirmou.
Representando os blocos afro de Florianópolis, a professora e pesquisadora Alexandra Gonçalves, a Xanda, chamou atenção para os desafios enfrentados pelas manifestações culturais negras em Santa Catarina.
“Santa Catarina ainda convive com uma invisibilidade histórica da população negra e da cultura negra”, afirmou. Segundo ela, “muitas vezes, as práticas culturais negras são criminalizadas”.
Encerrando a agenda, a ministra visitou o Monte Serrat, em Florianópolis, em atividade voltada ao diálogo com lideranças comunitárias e representantes culturais de territórios periféricos da capital catarinense.
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