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Rio de Janeiro sedia 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba com foco em políticas públicas e direitos para os trabalhadores da cultura



Os sons do tantã, do pandeiro e do cavaco deram o tom para o debate de políticas públicas nesta segunda-feira (22). O Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, abriu as portas para o 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba. Inédito no país, o evento transforma a capital fluminense no centro do debate sobre os direitos de quem faz a cultura popular acontecer. O encontro marca uma articulação do Ministério da Cultura (MinC) com gestores públicos, sociedade civil organizada, produtores de roda de samba, nomes históricos do gênero no país e representantes do setor privado. Além de celebrar o samba como patrimônio e símbolo da identidade nacional, a ideia é debater o setor a partir de uma perspectiva econômica, destacando a geração de emprego, de renda, e a necessidade da proteção social para seus trabalhadores.Ampliação de direitosA cerimônia de abertura contou com a presença da socióloga e primeira-dama, Janja Lula da Silva. Entusiasta do samba, ela chamou atenção para a necessidade de um olhar especial para as mulheres e destacou a importância da criação de creches noturnas para amparar quem trabalha na produção e nos bastidores.  “Como é que essas mulheres conseguem desenvolver a potencialidade delas conduzindo uma roda de samba, que é um trabalho noturno? Com quem os filhos ficam?”, questionou Janja, chamando a atenção para uma política pública específica para essas trabalhadoras.O secretário-executivo do MinC, Marcio Tavares, também participou do evento e lembrou, em sua fala, os desafios enfrentados pelo Governo do Brasil para a reconstrução do Ministério da Cultura. Ele celebrou a possibilidade de enaltecer os ícones do samba e destacou que a Pasta está empenhada em garantir a proteção social para os trabalhadores, visando a construção do Estatuto Nacional do Trabalhador da Cultura. “Nós precisamos ter legislação trabalhista adaptada para o nosso setor. A vida da maioria daqueles que atuam na cultura brasileira ainda é de chegar à velhice sem proteção social e sem condições mínimas de subsistência”, afirmou Tavares.A secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura, Roberta Martins, também reforçou a necessidade de debater o assunto durante o seminário. Ela lembrou que a falta de previdência é a principal fragilidade do setor e homenageou os mais velhos, pedindo palmas para Tia Gessy, que acompanhava o Seminário da plateia.Com quase 50 anos de dedicação às rodas de samba no Rio de Janeiro, mantendo um espaço responsável por revelar nomes como Xande de Pilares, tia Gessy foi citada como forma de lembrar os muitos mestres do samba que faleceram sem assistência do Estado. “Ela representa muito o que as tias e as mulheres do samba fizeram ao longo desses séculos, como Tia Surica e Tia Ciata. O Ministério da Cultura tem hoje uma diretoria que se debruça para discutir políticas para trabalhadores da cultura. Vamos enfrentar esse debate juntos”, concluiu Roberta Martins.Presente na mesa de abertura, a cantora Teresa Cristina fez coro à convocação. “Os grandes ícones do samba não precisam mais se preocupar com o que a gente está se preocupando agora. Eles já fizeram muito por nós. Eles merecem aplauso, reconhecimento e aposentadoria. Eu espero que as nossas conversas e os encaminhamentos cheguem a um lugar onde pessoas célebres como, Zé Luiz do Império, como Sereno, tenham direito a uma vida com conforto, que é o que eles merecem”, defendeu a cantora.Lendas do sambaGrandes nomes do samba brasileiro foram representados por mestres como Sereno, fundador do grupo Fundo de Quintal e inventor do tantã, e o compositor Zé Luiz do Império. Aplaudido de pé e emocionado com a homenagem, Sereno fez um breve relato sobre como criou um novo instrumento para aumentar a harmonia das rodas de samba. “O tantã não foi apenas um instrumento, ele foi uma solução, uma inovação que trouxe proximidade e voz ao coletivo. E é isso que o samba sempre foi: união, partilha, escuta. Cada batida, cada marcação, cada voz tem o seu lugar”, explicou.Dorina Barros, responsável pelo Encontro Nacional e Internacional de Mulheres nas Rodas de Samba, também fez questão de pontuar a importância das rodas para a vida econômica e social dos territórios onde elas acontecem. “Tem muita demanda de mulheres querendo fazer samba, querendo tocar, querendo produzir, querendo compor”.A cerimônia de abertura também contou com as presenças do representante da Rede de Rodas de Samba, Wanderson Luna, do diretor de Políticas Públicas da Ambev, Lucas Lima, do Secretário de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro, Lucas Padilha, e da deputada estadual e presidenta da Comissão de Cultura, Verônica Lima.O 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba tem programação até o dia 24 de junho no Rio de Janeiro.ProgramaçãoDia 2 | 23 de junhoPalácio Gustavo Capanema
Manhã09h30 – 12h – Eixo 2: Memória, Identidade, Território e PatrimônioMediação: Aline Vila Real (Funarte)
Palestrantes:Helena Theodoro – O Samba de lá e o Samba de Cá – Tia Ciata de Santo Amaro e do Samba CariocaSamora Lopes (Banjo Novo) – Salvador, Terra do Samba e das RodasSamba Fabiola Machado – As Rodas de Samba do Rio de JaneiroTadeu Kaçula – SP – O Samba Paulistano – Marina Lacerda – IphanTarde13h30 – 16h – Eixo 3: Inovação e Novas Gerações: A Tradição como Lanterna – Redes Integradas e DadosMediação: Fabricio Antenor
Palestrantes:Chico Reguera – JornalistaDorina – Mulheres na Roda de SambaNilcemar Nogueira – Dossiê Matrizes do Samba no Rio de Janeiro/Museu do SambaSimony Maia – Agência Mural de Jornalismo das Periferias – São Paulo.Dani Miranda – Blog de Samba
16h – 16h30 – Intervalo
16h30 – 18h – Mesa: Articulação Cultural e Movimento
Mediação: Roberta Martins (SAFCC)
Palestrantes: Rafa Rafuagi – Construção Nacional do Hip Hop / Museu do Hip HopRogério Família – Rede Carioca de Rodas de SambaAline Calixto – Bloco da Calixto (MG)Cláudia Ajeum – Pérola de Oyá – Fortaleza Dia 3 | 24 de junhoRenascença ClubeManhã09:30h – 12h00 – Eixo 4: Das Rodas às Políticas Públicas: Territórios que Transformam o BrasilMediação: Daniel Samam (CNPC/SAFCC)
Participantes:Marina IrisWanderson LunaThiago Carvalho – BahiaFabrício Antenor (SE/MinC) Aline Vila Real (Funarte)12h – 14h | Almoço: Feijoada no RenascençaTarde14h – Mesa Inspiradora/ Encerramento
Participantes:Nei LopesTeresa CristinaMárcio Tavares Moa Luz17h30 – Roda de Samba com Marcelinho Moreira
Homenagem à Tia Surica



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