A ministra da Cultura, Margareth Menezes, cumpriu nesta terça-feira (28) uma agenda estratégica em Pequim, na China, com compromissos que articulam inovação digital, patrimônio histórico e promoção da música brasileira. As atividades integram o contexto de fortalecimento das relações culturais entre Brasil e China, em especial no âmbito do Ano Cultural Brasil–China 2026.
O primeiro compromisso do dia foi a visita à sede da Kuaishou Technology, responsável pela plataforma Kwai, uma das maiores redes sociais da China. A agenda teve como foco o potencial da economia criativa digital e as possibilidades de ampliação da presença de artistas brasileiros no ambiente virtual chinês.
Durante a visita, a ministra conheceu os estúdios da empresa e participou de reuniões com executivos da plataforma, entre eles Peter Chen, diretor Global de Relações Governamentais e Políticas Públicas, Aaron Du, gerente de Relações Governamentais, e Zhuang Xu, vice-presidente sênior da Kuaishou Technology. Ao final do encontro, Margareth Menezes foi presenteada com itens simbólicos da cultura chinesa, como um conjunto de Mahjong, jogo tradicional do país.
Um dos destaques da reunião foi a apresentação de um projeto que utiliza a imagem da capivara como ponte cultural entre Brasil e China. De acordo com os executivos, o animal brasileiro se tornou um fenômeno viral nas redes sociais chinesas, associado à ideia de bem-estar e leveza. A proposta é transformar a capivara em uma “embaixadora digital”, por meio de filtros, avatares e conteúdos temáticos que conectem o público chinês a elementos da cultura brasileira, como música, turismo e tradições.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da economia criativa, com potencial para impulsionar a circulação de conteúdos brasileiros e gerar oportunidades para artistas e criadores. A chamada “diplomacia da simpatia”, baseada em elementos culturais de identificação afetiva, foi apontada como um caminho relevante para ampliar o alcance do Brasil no cenário digital global.
Durante o encontro, a ministra destacou a importância do diálogo entre os países. “É um aspecto de boa vontade para fortalecer relações, novas relações”, afirmou. A titular do MinC também ressaltou o momento de aproximação entre Brasil e China: “Há uma ânsia desse momento de ampliação das relações entre os dois países”.
Margareth Menezes ainda mencionou a participação de uma ampla delegação artística brasileira na agenda internacional. “Estamos trazendo mais de 60 artistas, cumprindo uma parte dessa proposta de intercâmbio cultural”, declarou.
Para o presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Leonardo Lessa, a experiência da plataforma chinesa oferece referências importantes para o Brasil. “Conhecer a atuação do Kwai como uma plataforma comprometida com a produção de conteúdo e com o fomento à inventividade é muito relevante. Trata-se de uma oportunidade de pensar o ambiente digital como espaço de geração de emprego e renda para trabalhadores da cultura”, salientou.
Representantes da Kuaishou também enfatizaram o interesse no mercado brasileiro e as possibilidades abertas pelo Ano Cultural Brasil–China. “Acredito que teremos muitas oportunidades de intercâmbio”, comemorou Peter Chen. Segundo ele, o fortalecimento das relações bilaterais tende a ampliar as trocas culturais e o conhecimento mútuo entre os países.
“Temos centenas de colaboradores que já estiveram no Brasil, e muitos aqui já conseguem se comunicar em português no dia a dia”, afirmou Aaron Du, ao destacar a importância do mercado brasileiro para a Kuaishou.
No Brasil, a plataforma já alcança números expressivos: são cerca de 60 milhões de usuários mensais, com alto nível de engajamento — em média, 83% acessam o aplicativo diariamente, com cerca de 80 minutos de uso por dia.
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Música como ponte entre Brasil e China
Encerrando a programação do dia, a ministra participou do concerto do violonista brasileiro João Camarero, no Blue Note de Pequim. A apresentação integrou a agenda oficial do Ano Cultural Brasil–China 2026 e reuniu autoridades, artistas e convidados.
Durante a abertura, Margareth Menezes destacou o papel da arte como instrumento de aproximação entre os povos. “A arte constrói laços de união entre as pessoas, entre os nossos países”, celebrou. De acordo com a titular da Cultura, Brasil e China compartilham uma profunda tradição artística, em que a música ocupa um lugar central como linguagem universal.
“O concerto que vamos assistir hoje é uma ocasião que transcende a música. Celebramos o encontro de culturas no âmbito do Ano Cultural Brasil e China 2026”, complementou. A ministra também ressaltou que a iniciativa é resultado de uma articulação entre diferentes áreas do governo federal, incluindo os ministérios da Cultura, das Relações Exteriores e do Turismo, além da Casa Civil.
O violonista João Camarero, um dos principais nomes da música brasileira contemporânea, destacou a emoção de se apresentar pela primeira vez na China. “É uma verdadeira honra e um privilégio estar aqui esta noite. É minha estreia na China”, discursou ao público.
Camarero também frisou o papel da música como linguagem universal: “Acho que não existe poder maior do que o poder da música. Ela é a linguagem universal que todos podemos entender e sentir, em nossa alma, o que são as diferentes culturas”.
Durante o concerto, o músico apresentou ao público chinês um repertório que percorre diferentes vertentes da tradição brasileira. “O Brasil é muito conhecido como o país do futebol, mas também é o país do violão”, relembrou. Ele explicou ainda a riqueza do choro, gênero que definiu como a primeira música popular urbana do país e uma das principais influências da música brasileira.
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